Linhagens – Capítulo VII

Depois do desafio, restavam poucas horas antes do duelo. Acabamos decidindo ir para o hotel para tomar os preparativos finais. Antes de subir para o quarto, fomos até o restaurante do hotel e pedimos o jantar. Enquanto comíamos, eu podia sentir o fio quase imperceptível de tensão que pairava ao redor de todos. Qualquer que fosse o resultado daquele duelo, problemas futuros seriam inevitáveis. Era algo que estava mais do que claro àquela altura. Mas, ainda assim, minhas mãos estavam firmes.

– Eu vou vencer – eu disse. – Acreditem em mim.

Meu pai e Atena me olharam por um momento, cada um a seu jeito.

– Que mestre arrogante eu tenho. Mas suponho que isso não seja completamente mau.

– Não?

– Tem sua medida de charme. É carismático.

– Isso é um elogio sincero demais para vir de você.

– É o resultado do meu bom humor incomum. É uma situação bem agradável, essa. Duvido que eu vá poder dizer o mesmo no futuro, porém, nesse momento, eu teria que mentir para dizer que não estou feliz.

Atena sorriu empurrando parte de seu cabelo para trás.

– Você vai vencer, eu sei disso. Você pode ser turrão e mestre de uma técnica cheia de falhas, mas não tenho dúvidas de que quando se trata de quebrar coisas, não há quem possa te superar.

– Isso soa mais como um elogio seu.

– Soa?

Ouvi a risada baixa do meu pai ao meu lado crescer um pouco até se tornar difícil de ignorar. Todos os olhares caíram sobre nós, mas meu pai não se controlou, parou de rir apenas quando já não restava mais graça em qualquer coisa que tivesse pensado, e seu olhar caiu por sobre seu copo.

Tough the lads are making pikes again for some conspiracy, and crazy rascals rage their fill against the human tyranny, my contemplations are of Time that has transfigured me.

Ele ergueu seus olhos para mim, um peso antigo caído sobre suas pálpebras, um sorriso morno pairando numa expressão cansada.

– O tempo tem mesmo um modo de sempre se repetir. Eu sou o homem velho agora, o Mago na árvore então, se posso ser arrogante o suficiente de desejar isso, espero que o final dessa vez seja menos amargo.

Acedi, mas não me ocorreram palavras.

 

Assim que o jantar terminou, subimos até o quarto para tratar das preparações iniciais. Atena fez os primeiros rituais de proteção ali mesmo, mas deixou os encantamentos mais fortes para quando já estivéssemos perto do local do duelo. Assim que esses ficaram prontos, partimos para o ponto destinado. Pelo que tinha sido combinado, o duelo deveria acontecer numa pequena ilha desabitada, a alguns quilômetros da costa. Conseguir um barco no meio da noite acabou sendo mais difícil do que o esperado, mas um pagamento acima do normal eventualmente resolveu esse problema. Enquanto nos aproximávamos da ilha, eu via pontos luminosos crescerem na prai, tochas ou algo similar, julgando pela maneira como o brilho ia e vinha. Já a pouco mais de uma centena de metros dali, conseguia ver outros barcos atracados num ponto em particular da ilha, seis deles, precisamente. Quando atracamos na praia, logo vi a pequena plateia que estava ali, além de todos os diretamente envolvidos. Sem o menor pudor, o aprendiz de Fermi estava usando as mesmas roupas de motoqueiro do ataque, exceto pelo capacete. Cordelia, por sua vez, carregava consigo um guarda-chuva vitoriano preto, longo. Saltei na faixa de areia e segui direto para perto de Cordelia ignorando todos os olhares sobre mim. A areia da praia era fina, mas inevitavelmente atrapalharia a movimentação. Não só isso, mas ela se estendia por dez ou vinte metros antes de dar lugar à uma mata. Provavelmente, o aprendiz de Fermi iria tentar usar aquilo a seu favor.

– O último a chegar – Cordelia disse.

– Como Musashi.

Ela sorriu, mas logo voltou à expressão séria de antes ao perceber a atenção de Fermi sobre nós. Me voltei para ele, que mantinha uma postura invariavelmente confiante diante daquilo tudo.

– Que farsa – ele disse. – Que grande, grande farsa. Tudo teria sido tão mais simples se você simplesmente tivesse me desafiado diretamente.

– Para você, sim. Mas não tenho qualquer intenção de deixar você ganhar qualquer coisa que seja.

– Eu não entendo para que toda essa inimizade para comigo.

– “Que farsa”, de fato.

– Ainda não precisamos fazer isso. Por que ser inimigos quando podemos ganhar muito mais simplesmente nos aliando? Eu sou um homem de princípios, posso perdoar essa ofensa. Então, porque não parar com toda essa perda de tempo?

– Não sei porque você está me dizendo. O duelo é entre o seu aprendiz e ela. Eu não tenho nada com isso.

Fermi suspirou, dirigiu seu olhar para o meu pai.

– Tenho certeza de que você percebe o grande desperdício de energia que estamos tendo aqui – ele disse.

– Perdão? Eu sou simplesmente um membro da plateia interessado em ver o resultado de um duelo. Para mim, não há nenhuma energia sendo desperdiçada.

– Você é um homem razoável. Um homem inteligente. Esse tipo de truque está abaixo de você.

– Agradeço pelo elogio, mas eu não posso dizer que sei do que você está falando. Como eu falei, não passo de uma figura de fundo.

– Inútil. Se vocês preferem continuar com essa palhaçada ao invés de agirem com razão, que seja. Vou assumir meu papel nessa encenação ridícula.

O olhar de Fermi correu para Cordelia, seus olhos deixando de lado a cordialidade fingida de antes.

– É um duelo que você quer, então é um duelo que você vai ter.

– Finalmente – ela respondeu. – Uma batalha um contra um, como combinado.

Fermi arreganhou um sorriso de dentes à mostra, uma expressão satânica.

– Não. Eu gostaria de fazer uma alteração nas regras. Uma demonstração de boa vontade, se você quiser.

– O que é?

– Eu gostaria de sugerir que duas pessoas lutassem no seu lado. Você e alguém à sua escolha.

– Por que você iria querer isso?

– Você é uma alquimista, não é? Tenho certeza que sua técnica nesse campo é admirável, mas tenho minhas dúvidas quanto à sua expertise em combate direto. Esse duelo deve ser justo, portanto seria nada mais do que adequado que você receba ajuda.

– Entendo. Nesse caso, eu quero fazer uma alteração também.

– E qual seria?

– Que esse seja um duelo até a morte.

Pretendi falar algo, mas antes que eu abrisse a boca, Cordelia me encarou, sorrindo.

– Isso é o meu duelo – ela disse. – Por favor, fique na plateia.

Considerei insistir, mas não valia. Não conseguia entender o pensamento daquela garota.

– Esse não é um critério adequado. Se você morrer, eu perco o meu prêmio.

– Acho que isso seria um problema. Então, vamos mudar os termos. O primeiro lado que tiver um combatente morto, perde. Parece melhor?

Fermi sorriu. A tensão no ambiente atingiu seu ponto mais alto, quase tangível, como se uma forma negra, diabólica, se manifestasse de repente.

– Muito bem. Eu aceito seus termos. Diga quem é o seu aliado e vamos começar.

Cordelia acedeu e se voltou para mim.

– Acho que você poderia me dar uma mão novamente – ela disse.

– O que diabos você está pensando?

– Não é mais interessante assim? Além disso, eu não sou tão inútil quanto você pensa.

Ela ergueu seu guarda-chuva, apontando-o para mim.

– Um guarda-chuva?

– Um guarda-chuva bastante especial. Vitoriano, virtualmente indestrutível.

– Você realmente é uma garota gótica.

– É o meu clichê, obrigada por perceber. Agora, você está pronto?

– Se você estiver.

Ela sorriu e abriu seu guarda-chuva, deslizando a mão sobre o cabo e o colocando de lado. Meu pai, Atena, Fermi e o resto da plateia começaram a se afastar enquanto o inimigo tomava posição, sacando uma pistola do lado e dirigindo o olhar para nós. O tempo todo, ele mantinha um sorriso violento estampado. Cerrei meus punhos e me armei em posição, conjurando enquanto isso as Magias defensivas necessárias. Cordelia se posicionou a pouco mais de dois metros de mim, seu guarda-chuva voltado para frente, olhos dirigidos para o nada por um momento, e então descendo até o oponente.

– Se você não se importar – ela o perguntou – eu gostaria de saber o seu nome.

– Enzo Gallo.

– Um nome sem significado. Adequado para alguém como você.

Enzo riu, ergueu até em frente ao próprio rosto, travou sua atenção na arma.

– Você tem razão, eu acho – ele disse. – Mas eu não importo.

– Então, você é só um animal de briga?

– Eu faço o que me mandam fazer. Por lealdade à família. Para agradecer quem me criou. Eu mato se tiver que matar. Morro se tiver que morrer. Só isso.

– Verdadeiramente, um bruto. E um mentiroso.

– Acusações.

– Não finja. Eu sinto o cheiro de sangue impregnado na sua alma. Você é um cachorro louco, um viciado em violência.

– E você é uma porca com bom faro – ele abaixou a arma e moveu o olhar para mim. – Agora, vamos lá. Vamos ver do que você é capaz.

Respirei fundo, segurando o ar dentro de mim. Travei olhares com ele por quanto deu, até ver o movimento de seu braço erguendo a arma em minha direção. Saltei para o lado e o estampido ressoou.

Os tiros vieram em uma sequência furiosa, erguendo uma nuvem de areia a cada vez que colidiam contra o chão, a explosão resultante muito mais alta do que uma pistola daquele tamanho poderia gerar. Continuei desviando o máximo que pude, mas a mira de Enzo mudou. Seguindo rápido com o olhar, Cordelia estava no alvo. O tiro veio antes que eu pudesse agir. A bala, porém, bateu no guarda-chuva, sem penetrar a superfície. Com o impacto, porém, Cordelia foi empurrada alguns metros para trás.

Aquela potência impossível não era simplesmente um resultado mecânico. Aquela arma era um problema real.

Corri reto em direção a Enzo, saltando para o lado quando os tiros vieram na minha direção, girando o corpo no ar para ganhar momento. Joguei a energia para a minha mão, concentrei tudo na imagem mental da Balmung, forçando a projeção a acelerar e disparando assim que um pé tocou o chão. Areia voou ao meu redor, projetada para trás pela força do lançamento. A projeção explodiu contra o chão, erguendo uma nuvem de terra, detritos e areia, criando no chão uma cratera de impacto.

Num instante, um guarda-chuva surgiu acima de mim, seguido quase instantaneamente pelo estrondo de explosões contra ele. Por instinto, ergui os braços para suportar a estrutura enquanto Cordelia a mantinha direcionada contra os impactos. Ouvi o som de alguém pousando na areia e corri na direção do barulho, jorrando força contra as minhas pernas para avançar o mais rápido que consegui.

Num instante, estava a frente de Enzo.

Joguei todo o peso para o alto, subindo o joelho contra o rosto dele. O braço esquerdo se interpelou no golpe e o ruído dos ossos trincados chegou rápido até mim. Tão rápido quanto a mira da pistola se movia em direção à minha cabeça.

Desviei a arma com a mão, um cotovelo me pegou no queixo, devolvi um soco no ar, mira no pescoço, empurrei a mão para trás, o estampido do tiro quase ressoou ao lado do meu tímpano. Cotovelo, joelho, mira, disparo, disparo, joelho, cotovelo, mira, cotovelo, cabeçada.

A dor surpresa no meu queixo escureceu tudo por um momento. Saltei para o lado, senti areia projetada contra a minha cara, abri os olhos e me recompus, correndo para evitar os tiros de Enzo.

No quinto disparo, um clique.

Virei para ele, disparei em sua direção, armando um soco impulsionado por carga mágica explosiva.

O impacto nunca veio.

Antes que o soco conectasse, Enzo desapareceu.

Não desviou. Sumiu. Girei ao redor, procurando, até ouvir um grito de Cordelia. Seguindo o som, vi Enzo a atacando, desferindo sequências rápidas de golpes de faca, para a muito custo pelo guarda-chuva fechado de Cordelia.

Corri até eles antes que a situação saísse de controle, mas no meio do caminho, vi Enzo saltar para trás e desaparecer em pleno ar. Não parei, porém, até chegar a Cordelia.

– Você está bem?

– Viva.

Num olhar rápido, vi o braço esquerdo dela encharcado de sangue. Podia ser um corte profundo, mas não tinha condições de saber. Antes que eu pudesse conferir melhor, ela abriu o guarda-chuva ao redor das minhas costas, outra vez interrompendo tiros. Os disparos pararam e ouvi os passos acelerados do atirador indo em direção à mata. Ao tentar persegui-lo, balas me forçaram de volta para trás do guarda-chuva. Quando os disparos pararam, já era tarde. Tentei conjurar para localizá-lo, mas como esperado ele estava protegido.

– Merda. Com ele na mata, isso não vai acabar bem.

– Não tenha certeza. Isso pode funcionar.

– Como?

– Eu posso ser uma alquimista, mas isso não é tudo que eu tenho. Se você conseguir manter ele parado por tempo o suficiente num lugar fechado, eu tenho uma arma secreta. Mas é grande e dramática, então você vai ter que sair de perto quando eu disparar. Rápido.

– Quanto tempo você precisa?

– Dez segundos para conjurar.

– OK. Eu vou te conseguir esse tempo.

Cordelia sorriu.

– Você está sendo incrivelmente profissional, sabia disso?

– Eu ainda não gosto de você nem do fato de você se meter na minha vida. Mas isso não significa que eu vou deixar você servir de troféu para alguém nem que eu vou colocar minha raiva acima do que esses dois fizeram. Só isso.

– Como eu disse, profissional.

Conferi os arredores, procurando por movimento nas proximidades da mata, mas tudo parecia imóvel. Provavelmente, ele estava escondido, esperando o momento para atacar. Sinalizei para Cordelia e avançamos usando o guarda-chuva de escudo. Por todo o caminho, não houve sequer um disparo. No momento em que entramos na mata, porém, o espaço era apertado demais para seguir avançando daquele jeito. Sinalizei para que Cordelia esperasse até o momento indicado, respirei fundo, chequei tudo à minha e, só então, dei o sinal. Ela fechou o guarda-chuva e eu avancei correndo.

Conjurei rápido, passando energia para o meu braço e projetando em minha mente a imagem da Balmung, não unida, mas separada, dividida em um milhão de pétalas. Conforme a energia corria ao redor dos meus nervos, sentia cada pedaço da projeção se materializando ao redor da minha mão até formar uma enorme nuvem cinza.

Balmung – Tesmpestade”.

Lancei a chuva de lâminas de metal em todas as direções, mergulhando pela mata escura, cortando os troncos das árvores, partindo folhas, mergulhando entre os espaços abertos, rasgando tudo em seu caminho.

Enquanto as lâminas avançavam, corri para o interior da mata, caçando o inimigo com olhares rápidos, até encontrá-lo. Ele me viu ao mesmo e começou a atirar, não com a pistola, mas com uma submetralhadora dessa vez. Me joguei rolando no chão enquanto os tiros atravessavam os caules das árvores. Projetei novamente as pétalas da Balmung, lançando outra tempestade de lâminas ao redor. Assim que Enzo recuou para proteção, avancei correndo em direção a ele, parando a poucos metros. Subi rápido numa árvore, enquanto ele se mostrava, agora de pistola na mão, procurando por mim. Antes que ele tivesse chance de achar, saltei da árvore sobre ele, caindo bem a seu lado. Por instinto, ele atirou. A bala raspou ao meu lado, estourou uma árvore atrás de mim, arrombando seu tronco e a derrubando. Rolei para o lado para me desviar do tronco que caía, me recompondo num instante para saltar contra Enzo, golpeando incessantemente. Ele tentava se desvencilhar dos meus golpes, ganhar um metro de distância que fosse, mas quando, ao tentar recuar, seu passo foi lento demais, agarrei ele pelo braço quebrado e girei seu corpo, forçando ele de cara contra uma árvore. Tentei golpear, mas antes que eu pudesse dar o soco, senti a arma vindo em direção ao meu lado, larguei ele e recuei chutando a perna dele. Ele se virou em minha direção, fez mira, empurrei sua mão para o lado, ele me chutou, forcei-o para trás, ele tentou mirar, agarrei o braço dele, mantive ele no alto enquanto Enzo tentava forçar a arma em direção à minha cabeça. E então, ele atirou. Com a tranco da arma, o braço dele recuou, escapando de mim. Me joguei com toda a força para a frente, acertando ele com uma investida que o jogou no chão.

– Para o lado! – ouvi Cordelia gritar.

Por um instante, Enzo olhou em direção à fonte do grito.

Nesse mesmo instante, agarrei um punhado de terra do chão e joguei em seu rosto, saltando para a direita no mesmo instante. Rolei três metros enquanto via, de longe, um clarão enorme se aproximar rápido. Antes que tivesse sequer tempo de me levantar, um grande jato concentrado de luz negra, como o brilho de um farol alienígena, se projetou onde eu estava antes, rasgando a terra, as árvores, espalhando uma onda de frio por tudo ao redor enquanto consumia tudo aquilo em que tocava, avançando sem cessar pela mata, derrubando árvores e mais árvores com um zunido alto, um som fundo de estática. Quando a luz cessou, nada restava em seu campo de ação além de terra queimada. No ponto de origem da luz, o guarda-chuva escuro apontado na direção da destruição, se levantou até revelar Cordelia. Me coloquei de pé, observando em silêncio a cena à minha frente. Aos poucos, vi cinzas escuras descerem do céu, caindo devagar como flocos de neve. Cordelia ergueu o guarda-chuva sobre sua cabeça, um sorriso distante em seu rosto. Ela olhou para mim, abaixou a cabeça e desabou no chão.

 

Voltei até a praia carregando Cordelia. Assim que a viu desmaiada, Elisabete correu até mim. Deitei Cordelia na praia enquanto sua mestra a conferia.

– Ela perdeu muito sangue – eu falei. – Você pode curar ela?

– Foi só isso? Aquela luz…

– Eu não sei o que foi, mas eu acho que foi uma magia dela.

– Essa garota idiota. Eu disse que ela não deveria usar coisas que não controla direito ainda.

– Foi por causa dela que a gente venceu. Pega leva com ela, por favor.

Elisabete balançou a cabeça e tocou minha testa.

– Você é gentil demais com algumas pessoas, não é? Você tem assuntos a resolver. Eu cuido da minha aluna estúpida.

Acedi e me levantei. A alguns metros de mim, parado no lugar como uma estátua, Fermi me encarava. Caminhei até e o olhei no fundo dos olhos. Fermi espumava de raiva, sua expressão congelada numa fúria densa.

– Ela venceu. Seu aprendiz está morto.

Fermi escancarou um sorriso de um lado a outro da boca, dentes a mostra.

– Sim, ele está. E parece que as armas dele foram destruídas junto com ele. É uma pena, mas você destruiu o seu próprio prêmio.

– Seu aprendiz está morto e é nisso que você está pensando?

– Ele morreu porque ele era incompetente. Eu ensinei ele, eu investi nele e ele perde para um moleque e uma puta!

– Você não tem o direito de falar isso.

– O que? Que aquela menina é uma puta? Por que é isso que ela é! Uma puta, uma vadia barata! E aquele garoto é pior ainda por ter morrido feito uma vagabunda. Você me fez um favor se livrando dele.

– Você é uma desgraça!

– É? E o que você vai fazer quanto a isso? Me matar? Faça isso. Mas faça isso na frente de todas essas pessoas. E se você fizer, você nunca mais vai ter paz na sua vida.

Ele continuou me encarando, esperando. Sorriu.

– Não me faça perder tempo, garoto. Tenho coisas mais importantes a fazer.

Fermi me deu as costas e foi até seu barco. Enquanto ele se afastava, eu segurava a vontade de acabar com aquilo ali mesmo. A raiva só começou a ceder quando ele já tinha desaparecido na noite. Voltei para junto de meu pai e Atena.

– O que acontece agora? – eu perguntei.

– Não se preocupe. Você fez a sua parte.

– O que você quer dizer com isso? Ele ainda está solto.

– Você merece um descanso. Essa noite já durou demais. Não precisa se preocupar com aquele homem.

Embora quisesse, me sentia cansado demais para discutir. Tudo que pude fazer foi concordar que aquela noite tinha sim terminado ali.

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