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Otello – Capítulo 15: Desesperança

Na manhã do dia seguinte partimos para seja lá onde fosse. Eu estava deixando a biblioteca dos macacos para trás e partindo atrás de um lugar aonde eu não deveria ir para tentar salvar o mundo. Eu não fazia ideia do que ia encontrar. É, é uma coisa bem idiota. Era isso ou ficar lá para sempre, vivendo com macacos e esperando sei lá o quê atacar. Que droga, por que diabos eu fiz isso?

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Otello – Capítulo 10: Ameaça

Sempre que víamos nossos pais trazendo comida farta em casa era como se fossemos órfãos e os reencontrássemos depois de anos sem vê-los, já tinha saudades de quando eu ainda podia sonhar com uma vida melhor e menos impiedosa a qual circundava nossa família nesses anos todos. Por mais que no fundo eu achasse ridículo aquilo, odiasse minhas irmãs, da mesma forma que eu não gostaria que acontecesse algo de ruim comigo, não me perdoaria se o mesmo ocorresse com elas, e pelo visto, eu jamais iria me perdoar se fosse para o céu ou para o inferno.

As paredes continuavam a se mover em nossa direção, o corpo de Mellody estava completamente destroçado, restando apenas a cabeça dela. Pelo menos o corpo teria algum proveito e eu não escutaria mais o choro insuportável daquela bendita, pensava que por aqui, já não haveriam mais voltas, já que minha espada parecia não ser afiada e forte o bastante pra destruir uma das paredes, só um milagre poderia nos salvar agora. Isso é, se existisse algum…

Puta que pariu, para que eu fui falar? Uma das paredes emperrou, parecia que algo a prendia e não conseguia mais se mover, ela parecia que iria estourar ou algo do gênero, pois de tanto forçar para ir em nossa direção, começava a se denegrir pela pressão oposta em que era submetida, será que a morte estaria dando uma ultima gota de esperança em nossos corpos antes de acabar definitivamente conosco? Foi quando chegando perto da cabeça de Mellody a outra porta também parou, mas pelo estrondo era como se fosse algo automático dela, era naquela posição junto com a outra parede que ambas deveriam parar, em outros termos, esmagando a gente e nos deixando no estado em que os outros membros de corpos agora se encontravam.

Tudo apagou-se, Mellody começava a chorar por que tinha medo da escuridão, e no breu que estava até eu começava a chorar também, achava que por ali nada de pior poderia acontecer. Estava enganado infelizmente…

O recinto se aquecia e a cada instante o calor se tornava insuportável, parecia que..não, parecia não! Estávamos em uma fornalha! Como a claridade que aos poucos abrangia o local, ficou tudo claro como a luz do Sol, aquilo era uma lixeira, e nós fomos jogados nela.

Não teria mais o que fazer ali, já éramos, era tudo sem volta. Sentia que meus membros começavam a derreter e partes do meu corpo se transformavam em gotas junto com o meu suor. Estava transtornado, algo batia na minha cabeça suplicando para que fossemos sair dali, me dividindo em acabar essa agonia toda e deixar todos nós queimarmos nas chamas do inferno e ter mais um pingo de esperança e procurar soluções para isso não acabar de forma agoniante.

Symphonia me deixava padecido com o seu olhar, pela primeira vez eu me emudecia com a cara dela. Não era como antes, agora parecia determinada com algo, se for o que estou pensando, não apostaria minhas fichas em qualquer outra ocasião, mas se tratando de algo como agora, o que poderia falhar?

Ela se vira para mim, ainda mantendo o olhar frio e vazio, olha para a minha bainha e diz: “Orpheu, terá que confiar em mim, me empreste suas mãos..”

Em sentido figurado ela iria pedir minha ajuda, mas como tudo nessa história era bizarro, ela falou literalmente. Vendo que ela perdera suas mãos, a única salvação, talvez, era confiar as minhas em seu poder.

Respirei bem fundo e saquei minha espada, ela estava com a lâmina quente por conta do calor a qual a fornalha era submetida, ela pareceu saber que o metal da lâmina da minha espada era um bom condutor e por isso pediu esse favor. Sem muitas escolhas, parti meu pulso direito ao meio, não doeu como da ultima vez que meu corpo e minha espada se encontraram, após isso ela levemente pega a minha mão decepada e a coloca no pulso direito, pega minha espada e parte meu pulso esquerdo, me deixando como ela estava antes.

Por Reflexo deixei sem querer a cabeça de Mellody rolar, como não tinha mãos, correr e tentar salva-la era inútil, estava para ser torrada por um “geiser” flamejante quando uma flecha atravessa sua nuca, esta suspensa por uma corda, a qual é puxada de volta. Eu vidrado naquilo me virei para a direção da corda, e a autora do disparo era minha irmã.